segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Tempo


Se hoje fosse ontem e ontem, amanha, o que eu faria de diferente?
Poderia eu ter vestido outra roupa, ou lido outra página?
Poderia ter descido a avenida a toda velocidade ou partido sem rumo certo?
Ou será que eu cometeria as mesmas falhas só pelo prazer de ser feliz?
Se ontem fosse hoje, e o amanha acontecesse agora, o que diferente eu faria?
Riria de uma piada nova ou ficaria trancado em casa?
Começaria uma nova guerra ou veria filme na madrugada?
Ah, se tudo fosse pouco e o nada tão imenso, faria caber no peito mais uma dose de frescor
Se o tempo fosse rápido, tão lento e tão certeiro,
Certamente eu nasceria de novo, cometendo os mesmos erros,
So pelo prazer de ver em seu rosto,
As mesmas lágrimas que antes secaram o mar,
E aqueles peixes perdidos voltariam ao rio,
As larvas virariam borboletas
E toda a luz findar-se-ia num relance de sorriso,
Quando no momento, enfim, juntos, separados, nossos lábios se perdessem,
na aurora do amanha que ontem chegou cedo,