(Fragmento do conto de Natan Duarte 'De Encontro ao Sol')
...
Um longo silencio se instalou entre ambas. Alice arriou sua bolsa de couro sobre uma cadeira velha que se encontrava onde antes havia o pequeno e confortável sofá. Seguiu em direção as janelas, e começou a abrir as cortinas, com agilidade e determinação.
- preciso de luz aqui! E de ventilação.
Dito isso, voltou-se à cadeira onde se apoiava sua bolsa, atirou a bolsa ao chão, ergueu a cadeira e a atirou contra a janela.
D. Maria Eugenia, deu um salto de susto. Começou a chorar e caminhou em direção à filha, que lhe encarou de forma desdenhosa.
- Ainda estás aqui? Por acaso os anos lhe tiraram também a audição? Resgatei a hipoteca da casa, que agora é minha por direito. Por isso, você tem dois minutos para recolher seus trastes e retirar-se daqui. Parece que o tempo fez jus a você. Externalizou o fantasma que você sempre foi.
- Alice...
- Não me faça ter que ouvi-la. Não voltei aqui para sentimentalismos.
- Mas você foi embora...
- Percebeu minha ausência?! Quando? Quando papai queria uma putinha para transar e você estava trepando com o vizinho?
- Me respeite!
- Respeitar o que? Todos nesta cidade te comeram! Você foi a vedete de todos. Do embaixador ao rapaz da limpeza. E eu, fui puta de um homem só: do seu marido!
- Você não entende...
- Entender?! Levei 30 anos, 30 longos anos da minha vida procurando uma explicação para vocês fazerem comigo o que vocês fizeram. E voltei sem uma resposta plausível. Nem uma! Você e papai se mereciam!
- Não fale assim, ele está morto!
- Morreu de que? Os jornais não disseram. Ah, deixe-me adivinhar: morreu de susto ao ver a sua cara quando acordaram e ele a encarou...
Maria Eugenia virou-se contra Alice e lhe acertou uma tapa, com toda a violência que ainda restava em sua alma. Olhou-a fixamente, e recuou. Apanhou a cadeira caída ao pe da janela quebrada, posicionou-a no mesmo lugar que antes se estava. Sentou-se, tomou fôlego, e falou:
- Seu pai morreu de câncer!...
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Poema para você
Eu te odeio porque te amo
Quero distancia, pois não posso ter perto
Invento problemas, para ser mais fácil
De entender a culpa, a raiva e a pena
Eu te odeio porque te amo,
Tua essência, teu cheiro e teu sorriso
Fazem-me mal, pois me esqueço de mim
Não quer isso, não assim...
Não desta forma desenfreada
Em que é tão sutil a linha que separa
A razão da loucura de sentir...
Eu te odeio porque te amo
Mas tudo é questão de tempo
Ate eu perceber que te amo porque te odeio
Que te amo, pois não gosto do seu jeito
Que odeio e não sei mais gostar
É questão de tempo até que tudo finde
E só reste uma memória singela
Uma brisa na mente e sua foto
Guardada em algum pedaço do meu peito
Entre o amor e o ódio de você existir
Não quero enganar as flores
Nem fazer chover mais do que se deve
Vou calar o grito aqui de dentro
Que teima em gritar para o mundo
Que amo você do seu jeito
Mas não sei amar do meu...
(Natan Duarte)
Quero distancia, pois não posso ter perto
Invento problemas, para ser mais fácil
De entender a culpa, a raiva e a pena
Eu te odeio porque te amo,
Tua essência, teu cheiro e teu sorriso
Fazem-me mal, pois me esqueço de mim
Não quer isso, não assim...
Não desta forma desenfreada
Em que é tão sutil a linha que separa
A razão da loucura de sentir...
Eu te odeio porque te amo
Mas tudo é questão de tempo
Ate eu perceber que te amo porque te odeio
Que te amo, pois não gosto do seu jeito
Que odeio e não sei mais gostar
É questão de tempo até que tudo finde
E só reste uma memória singela
Uma brisa na mente e sua foto
Guardada em algum pedaço do meu peito
Entre o amor e o ódio de você existir
Não quero enganar as flores
Nem fazer chover mais do que se deve
Vou calar o grito aqui de dentro
Que teima em gritar para o mundo
Que amo você do seu jeito
Mas não sei amar do meu...
(Natan Duarte)
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