Participo de um programa e um texto simples com este título caiu em minhas mão: "Ser feliz ou ter razao?"
O texto curto narra um momento simples na vida de um casal: Eles estão indo de carro a uma festa. No meio do caminho eles discutem quanto ao roteiro. Ele acredita que o caminho a seguir é um e ela acredita que é outro. Por fim, o marido, que está ao volante, toma o caminho que acredita ser o certo, e descobre que estava errado. Uma nova discussão parece iniciar-se, pois ele a questiona: "Se você tinha tanta certeza de que eu estava errado, por que não me convenceu a seguir a sua opinião?" e ela responde: "Nós estavamos prestes a iniciar uma briga que certamente iria estragar a nossa noite..."
Acho que algo em mim mudou após ler este texto. Quantas vezes em nossas vidas estragamos um momento só para provar que estamos certos?
Às vezes ter razão ou não nem é o mais importante, mas o orgulho grita lá dentro, dilacerando o bom senso.. e este, coitado, cansado dos golpes, cede aos desejos do ego...
A humanidade tem ao longo da história criado motivos para contestar o outro. Mas será que é mesmo tão importante provar que o outro está errado? Sim, porque muitas vezes a questão nem é provar que se está certo, mas que o outro errou.
Engraçado como conseguimos resolver todas as questões do mundo que nos agridem, como doenças (remédios), clima (condicionadores de ar), etc. Mas criamos problemas tão gigantes na estrutra social que formamos que não conseguimos resolver questões de bom senso..
E aqui volto àquela mulher no carro... uma leve mudança no ângulo do conflito nos diz quem tem razão... ter razzão no caminho a seguir, ou ser feliz durante o percurso?...
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Telhado de Palha
Ai meu Pará, Paraná, Paraíba
Ai me Ceará, Guanambi, Guanaíba
Gente de força e de guarra
Que ri e que gira nas voltas gigantes
Das rodas girantes da vida
Ai me Boi-Bumbá, minha baiana, minha índia
Ai meu chegar, bem querer
Que devagar vai tomando lugar
nas estradas e entradas da vida
Na Copacabana do mar,
Nos rios do Amapá,
São Francisco, Sebastiano Ipirá
Ai meu Olorum, jóia de ouro
Tesouro escondido na fonte
Na fronte distante do mundo
Pequeno Erê, vatapá
Carurú, munguzá
Meu Brasil, brasileiro que há
Nos cocás do guerreiro,
Arqueiro das casas de Dulce
Rio do Sul, Rio Grande,
Jacarés escondidos no seu quintal
Meu Brasil, bailarino, Catarino
Tehado de palha, meu lugar.
(Natan Duarte)
Ai me Ceará, Guanambi, Guanaíba
Gente de força e de guarra
Que ri e que gira nas voltas gigantes
Das rodas girantes da vida
Ai me Boi-Bumbá, minha baiana, minha índia
Ai meu chegar, bem querer
Que devagar vai tomando lugar
nas estradas e entradas da vida
Na Copacabana do mar,
Nos rios do Amapá,
São Francisco, Sebastiano Ipirá
Ai meu Olorum, jóia de ouro
Tesouro escondido na fonte
Na fronte distante do mundo
Pequeno Erê, vatapá
Carurú, munguzá
Meu Brasil, brasileiro que há
Nos cocás do guerreiro,
Arqueiro das casas de Dulce
Rio do Sul, Rio Grande,
Jacarés escondidos no seu quintal
Meu Brasil, bailarino, Catarino
Tehado de palha, meu lugar.
(Natan Duarte)
quinta-feira, 21 de maio de 2009
De encontro ao Sol
(Fragmento do conto de Natan Duarte 'De Encontro ao Sol')
...
Um longo silencio se instalou entre ambas. Alice arriou sua bolsa de couro sobre uma cadeira velha que se encontrava onde antes havia o pequeno e confortável sofá. Seguiu em direção as janelas, e começou a abrir as cortinas, com agilidade e determinação.
- preciso de luz aqui! E de ventilação.
Dito isso, voltou-se à cadeira onde se apoiava sua bolsa, atirou a bolsa ao chão, ergueu a cadeira e a atirou contra a janela.
D. Maria Eugenia, deu um salto de susto. Começou a chorar e caminhou em direção à filha, que lhe encarou de forma desdenhosa.
- Ainda estás aqui? Por acaso os anos lhe tiraram também a audição? Resgatei a hipoteca da casa, que agora é minha por direito. Por isso, você tem dois minutos para recolher seus trastes e retirar-se daqui. Parece que o tempo fez jus a você. Externalizou o fantasma que você sempre foi.
- Alice...
- Não me faça ter que ouvi-la. Não voltei aqui para sentimentalismos.
- Mas você foi embora...
- Percebeu minha ausência?! Quando? Quando papai queria uma putinha para transar e você estava trepando com o vizinho?
- Me respeite!
- Respeitar o que? Todos nesta cidade te comeram! Você foi a vedete de todos. Do embaixador ao rapaz da limpeza. E eu, fui puta de um homem só: do seu marido!
- Você não entende...
- Entender?! Levei 30 anos, 30 longos anos da minha vida procurando uma explicação para vocês fazerem comigo o que vocês fizeram. E voltei sem uma resposta plausível. Nem uma! Você e papai se mereciam!
- Não fale assim, ele está morto!
- Morreu de que? Os jornais não disseram. Ah, deixe-me adivinhar: morreu de susto ao ver a sua cara quando acordaram e ele a encarou...
Maria Eugenia virou-se contra Alice e lhe acertou uma tapa, com toda a violência que ainda restava em sua alma. Olhou-a fixamente, e recuou. Apanhou a cadeira caída ao pe da janela quebrada, posicionou-a no mesmo lugar que antes se estava. Sentou-se, tomou fôlego, e falou:
- Seu pai morreu de câncer!...
...
Um longo silencio se instalou entre ambas. Alice arriou sua bolsa de couro sobre uma cadeira velha que se encontrava onde antes havia o pequeno e confortável sofá. Seguiu em direção as janelas, e começou a abrir as cortinas, com agilidade e determinação.
- preciso de luz aqui! E de ventilação.
Dito isso, voltou-se à cadeira onde se apoiava sua bolsa, atirou a bolsa ao chão, ergueu a cadeira e a atirou contra a janela.
D. Maria Eugenia, deu um salto de susto. Começou a chorar e caminhou em direção à filha, que lhe encarou de forma desdenhosa.
- Ainda estás aqui? Por acaso os anos lhe tiraram também a audição? Resgatei a hipoteca da casa, que agora é minha por direito. Por isso, você tem dois minutos para recolher seus trastes e retirar-se daqui. Parece que o tempo fez jus a você. Externalizou o fantasma que você sempre foi.
- Alice...
- Não me faça ter que ouvi-la. Não voltei aqui para sentimentalismos.
- Mas você foi embora...
- Percebeu minha ausência?! Quando? Quando papai queria uma putinha para transar e você estava trepando com o vizinho?
- Me respeite!
- Respeitar o que? Todos nesta cidade te comeram! Você foi a vedete de todos. Do embaixador ao rapaz da limpeza. E eu, fui puta de um homem só: do seu marido!
- Você não entende...
- Entender?! Levei 30 anos, 30 longos anos da minha vida procurando uma explicação para vocês fazerem comigo o que vocês fizeram. E voltei sem uma resposta plausível. Nem uma! Você e papai se mereciam!
- Não fale assim, ele está morto!
- Morreu de que? Os jornais não disseram. Ah, deixe-me adivinhar: morreu de susto ao ver a sua cara quando acordaram e ele a encarou...
Maria Eugenia virou-se contra Alice e lhe acertou uma tapa, com toda a violência que ainda restava em sua alma. Olhou-a fixamente, e recuou. Apanhou a cadeira caída ao pe da janela quebrada, posicionou-a no mesmo lugar que antes se estava. Sentou-se, tomou fôlego, e falou:
- Seu pai morreu de câncer!...
Poema para você
Eu te odeio porque te amo
Quero distancia, pois não posso ter perto
Invento problemas, para ser mais fácil
De entender a culpa, a raiva e a pena
Eu te odeio porque te amo,
Tua essência, teu cheiro e teu sorriso
Fazem-me mal, pois me esqueço de mim
Não quer isso, não assim...
Não desta forma desenfreada
Em que é tão sutil a linha que separa
A razão da loucura de sentir...
Eu te odeio porque te amo
Mas tudo é questão de tempo
Ate eu perceber que te amo porque te odeio
Que te amo, pois não gosto do seu jeito
Que odeio e não sei mais gostar
É questão de tempo até que tudo finde
E só reste uma memória singela
Uma brisa na mente e sua foto
Guardada em algum pedaço do meu peito
Entre o amor e o ódio de você existir
Não quero enganar as flores
Nem fazer chover mais do que se deve
Vou calar o grito aqui de dentro
Que teima em gritar para o mundo
Que amo você do seu jeito
Mas não sei amar do meu...
(Natan Duarte)
Quero distancia, pois não posso ter perto
Invento problemas, para ser mais fácil
De entender a culpa, a raiva e a pena
Eu te odeio porque te amo,
Tua essência, teu cheiro e teu sorriso
Fazem-me mal, pois me esqueço de mim
Não quer isso, não assim...
Não desta forma desenfreada
Em que é tão sutil a linha que separa
A razão da loucura de sentir...
Eu te odeio porque te amo
Mas tudo é questão de tempo
Ate eu perceber que te amo porque te odeio
Que te amo, pois não gosto do seu jeito
Que odeio e não sei mais gostar
É questão de tempo até que tudo finde
E só reste uma memória singela
Uma brisa na mente e sua foto
Guardada em algum pedaço do meu peito
Entre o amor e o ódio de você existir
Não quero enganar as flores
Nem fazer chover mais do que se deve
Vou calar o grito aqui de dentro
Que teima em gritar para o mundo
Que amo você do seu jeito
Mas não sei amar do meu...
(Natan Duarte)
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